domingo, 15 de fevereiro de 2009

Fascínio em Ensinar Aventuras Encantadas no ato de Aprender

A educação é tão simples e fazem dela tão complexa a ponto de pôr diversas responsabilidades, as quais a tornam um fardo pesado a ser carregado. Conversamos sobre educação como se ela fosse um bicho de sete cabeças, quando é na verdade singela, ingênua como o ato de jogar uma semente ao chão e regá-la com o intuito que se torne uma planta forte, vistosa e frutífera.
Nos congressos educacionais, nas jornadas pedagógicas, nas universidades e nos espaços que debatem a educação, formas, modelos, são instituídos para conter a evasão escolar, a avaliação, a repetência, os programas que os currículos devem contemplar, como melhorar os índices de alunos que passam no vestibular. Segundo Rubem Alves em seu livro Conversas sobre Educação, ele explicita e afirma que a “escola é uma máquina de destruir crianças”. O autor acredita que elas “são transformadas em adultos” antes da hora, sendo isso o que “os pais querem: que seus filhos sejam adultos produtivos”. Fatores estes que tem tornado a escola um espaço que poda a criatividade e a espontaneidade da criança e os professores meros receptores de um saber que não agrada e não desperta a curiosidade delas.
Para Bruno Bettelheim, considerado um dos maiores educadores do século passado, proferia: “na escola os professores tentavam ensinar-lhe coisas que eles queriam ensinar, mas que ele não queria aprender”, realidade que assola o ensino brasileiro. As escolas têm direcionado as brincadeiras, tudo tem que ser aprendizagem e a criança acaba perdendo o direito de ser criança de pular, brincar, correr e principalmente viver essa fase encantadora e cheia de descobertas.
Os pais por sua vez, exercem o seu papel no extermínio das crianças, com a mentalidade voltada ao capitalismo e a globalização, desde cedo, enchem-nas de atividades como: natação, curso de inglês, judô, creche, entre outros afazeres que tomam o tempo. Tais atitudes geram distanciamentos entre pais e filhos, devido ao excesso de tarefas eles não têm tempo de se descobrirem, de brincarem, de se conhecerem e se tornam estranhos no mesmo ambiente em que vivem.
Dessa forma, surgem as perguntas: “Qual é o sentido da educação? Qual a função do educador? Qual o papel da escola?”. Diversos questionamentos e as respostas... Ah! As respostas. Elas apenas na sua secura atestam que a função do educador é educar e o papel da escola é conduzir o aluno a diversas aprendizagens para que ele tenha êxito em sua vida, pois sem estudar ele não vai a lugar algum. São as repostas estéreis que ouvimos e formulamos durante a vida profissional e acadêmica.
No entanto, não quero ser idealista e nem sequer profeta do pessimismo; mas se não descobrirmos ou aplicarmos uma nova educação, cada vez mais perderemos a essência da verdadeira função de educador, que é transmitir valores e ensinar para a vida. Isso vai muito além do, que simplesmente repassar assuntos do componente curricular e dos programas dos processos seletivos. Caso não haja o fascínio em ensinar e não despertarmos as aventuras encantadas no ato de aprender formaremos cada dia mais crianças depressivas e estressadas, robôs voltados para passar no vestibular ou concurso. Máquinas que perderam o encanto pela vida o oposto do que representa ser criança.

Stelina Vasconcelos
Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia – Campus XVI
E-mail: stelinavasconcelos@hotmail.com
Blog: http://stelinavasconcelos.blogspot.com/ e
http://stelina-vasconcelos.blogspot.com/

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