quinta-feira, 23 de abril de 2009

QUEM É O TRAIDOR OU TRAIDORA NESSA HISTÓRIA?

A superfície do planeta terra é composta de 75% por água e 25% de terra. A distribuição da água no planeta está difundida da seguinte forma: 97,3 % de água salgada e apenas 2,7% é de água doce disponível para o consumo humano, sendo que, a maior parte desses 2,7% está congelada ou embaixo da superfície do solo. Segundo a Declaração dos Direitos da Água no seu primeiro artigo: A água faz parte do Patrimônio do Planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.
Partindo dessa preposição todos nós, cidadãos do planeta Terra, temos nossas responsabilidades e deveres, sendo um deles cuidar da água, do meio ambiente em que vivemos, evitando assim destruições e desperdícios com os bens naturais renováveis ou não, principalmente com a água que é um elemento vital a sobrevivência humana e das espécies de animais e vegetais.
Dessa forma, desde a pré-história o ser humano tirou sua sustentabilidade da natureza num processo de dominação o qual ele exercia de dono do meio ambiente e nunca parte integrante dele. Através do processo de industrialização, desmatamento da vegetação nativa para o plantio e a pecuária, a poluição dos rios, a emissão crescente do gás carbônico na atmosfera e o atual modelo de desenvolvimento dos países, que tem levado a produção de níveis alarmantes de poluição do solo, da água, destruição da biodiversidade e demais recursos não-renováveis, em praticamente todas as regiões do globo, são fatores que interferem na produção dos elementos da natureza, de forma a esgotá-los, visto que, não são renováveis como é o caso da água.
No Território de identidade de Irecê, as consequências da ação desordenada e destruidora do homem começam a assolar a população no ano de 2009, a qual começa a enfrentar a problemática de uma crise na falta de água para o consumo humano. Dados dos órgãos que gerenciam a água no Território de Irecê apontam para esse destino. Caso não haja uma intervenção urgente, em curto prazo - uma interferência na barragem a qual permita que retorne a capacidade média de seu volume – e em longo prazo – revitalização e reflorestamento das áreas degradadas, principalmente as matas ciliares das nascentes que a retroalimentam - a mesma deixará de existir. O fato poderá deixar 300.000 pessoas sem esse elemento vital à sobrevivência dos seres vivos.
O Território de Irecê, atualmente vivencia momentos de discussões, as quais visam a conscientização da população quanto ao uso dos recursos hídricos. Antuniasse acredita que:
“A educação ambiental como ação conscientizadora, é um dos caminhos mais seguros para formar uma mentalidade conservacionista, ou seja, formar um cidadão empenhado na defesa do meio ambiente e dos recursos naturais e na gestão desses recursos”.
Por fim, diante desse fato, surge o questionamento será que a natureza nos traiu ou nós a traímos? Quem é o traidor ou traidora nessa história? A humanidade que sempre tirou a subsistência das famílias na natureza ou a explorou de forma desordenada em busca de riquezas, agora sofre com a escassez dos bens naturais. Durante diversos anos pensava que esses elementos jamais se suprimiriam e devido a isso, não preservavam o meio ambiente e agora com os diversos impactos que afligem o Território de Irecê os quais não são isolados no planeta, a população atenta para mudanças de hábitos e atitudes e o despertar para cuidar da natureza.
Stelina Vasconcelos
Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB, Campus XVI
Correspondente do Jornal A Semana de Jacobina
Membro da Academia de Letras de Irecê

Preguiça baiana: como surgiu esse estereótipo

A professora de antropologia Elisete Zanlorenzi defendeu tese de doutorado na PUC- Pontifícia Universidade Católica de Campinas, cujo tema foi Preguiça Baiana. O objetivo foi descobrir como a imagem surgiu e se consolidou. O título a priori trouxe indignações para alguns baianos que achavam que a tese reafirmava esse preconceito que os baianos sofrem.
A antropóloga passou 4 anos pesquisando sobre a preguiça baiana que é faceta do racismo. Além disso, a tese sustenta que o baiano é mais eficiente que o trabalhador das outras regiões do país e contesta a visão de que o morador da Bahia vive em clima de “festa eterna”.
A imagem da preguiça baiana surgiu do discurso discriminatório contra os negros e mestiços, que são cerca de 79% da população. Essa imagem foi propagada pelo Estado, por meio da elite portuguesa, que considerava os escravos ociosos, por causa das suas expressões faciais de desgosto e a lentidão na execução do serviço.
O discurso discriminatório se espalhou de forma acentuada no Sul e Sudeste a partir da década de 40, e é utilizado até os dias de hoje como uma forma de denegrir a imagem dos trabalhadores nordestinos, principalmente os paraibanos. Estes sofrem preconceitos e apelidos discriminantes; são taxados de desqualificados e estabelecem fronteiras simbólicas nessa região.
A pesquisa revelou também que a indústria do turismo vende essa ideia de lazer permanente como uma forma de agregar lucros. Outro setor que reafirma a imagem é o da música por não desmitificar esse estereótipo e permitir que o mesmo seja o diferencial do povo baiano.
A pesquisa expôs alguns dados como de que no período de festas é a época que o baiano mais trabalha, visto que, quem se diverte são os turistas. Uma constatação preocupante é que 51% da mão-de-obra da população atua no mercado informal, além de citar o crescimento industrial que a Bahia tem tido nos últimos anos, como o maior pólo petroquímico do país e da forma como vem ocorrendo esse desenvolvimento. Em cerca de 10 anos será o maior pólo industrial na América Latina. É considerado pelos especialistas como o melhor lugar para investimento industrial e turístico da América Latina, devido a fatores como incentivos fiscais, recursos naturais e campo para o mercado ainda não saturado.
Um exemplo da responsabilidade e trabalho é que uma empresa Xerox do Nordeste, localizada na Bahia foi a única no Brasil a ganhar dois prêmios de qualidade ofertado pela Câmara Americana de Comércio.
Por fim, diante da pesquisa realizada e constatada cabe aos baianos mais iniciativa de repudiar tal apelido e cada dia continuar crescendo e enfrentando essa discriminação.