domingo, 22 de fevereiro de 2009

O Conhecimento Perpassa os Muros das Unidades de Ensino

Segundo Paulo Freire “ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre”. Partindo dessa preposição, o conhecimento vai muito além e perpassam os muros das unidades de ensino seja ele básico, médio e “superior”.
É interessante quando uma nova turma entra em alguns ambientes de ensino “superior”, escuta os discursos que denotam as mudanças que ocorrerão em sua vida. Atualmente, as pessoas que conseguem vencer as etapas excludentes e entrar no ensino “superior” são consideradas de elitista, visto que, nem todos têm privilégio de tal conquista e titulação.
Sendo assim, formando desde a aula inaugural um processo que Rubem Alves chama de (de)formação do individuo, que por ter a oportunidade de está nesse espaço, acaba sentindo-se melhor e detentor do conhecimento e assim passa a eliminar os que não estão em situação igual a sua. Até mesmo o nome ensino “superior” estimula esse processo afastamento entre os que estão no meio acadêmico e os que não estão.
No entanto, os atores educativos esquecem que a teoria sem prática é mórbida e a prática sem o conhecimento teórico consegue penetrar diversos espaços. Dessa forma, muitos graduandos saem das suas escolas de ensino achando que sabem tudo. Realidade mais evidente nos cursos de licenciatura os quais exigem estágio em sala de aula. Muitos contestam a prática do professor que está a diversos anos imbuídos na área, achando que por terem feito um curso “superior” é melhor que ele, que não fez ou tem muito tempo que passou pela experiência.
Rubem Alves, no livro “Conversas sobre a Educação” manifesta uma preocupação quanto as unidades de ensino “superior”, ao relatar que as “universidades (de)formam pessoas cheias de sonhos”, caso o individuo não tenha cuidado ela o padroniza, o coloca na fôrma e depois de quatro anos a desenforma.
Existe um provérbio que diz: “Ninguém é tão inteligente que não tenha a aprender, ou tão burro que não tenha a ensinar”, o homem do campo vive à margem da sociedade e sempre fora tido como um “ignorante” por não deter conhecimentos científicos, mas este mesmo não o tendo conhece as diferenciações climáticas e apontam previsões de chuvas precisas, entende de plantação, colheita, reconhecem períodos de seca, através da leitura da natureza. Existe um paradoxo é essa linha que nos divide, é essa linha que nos humaniza a entender que como seres em constantes transformações, somos aprendentes e aprendizes sempre.
Portanto, o conhecimento que as escolas não ensinam, as situações que elas não preparam só as circunstâncias da vida podem ensinar. No entanto, para isso acontecer precisamos ter humildade e reconhecer que não somos os únicos detentores do saber; estamos em constante aprendizagem. Não podemos deixar as unidades de ensino nos (de)formarem, nos elitizarem, é preciso ter maturidade para entender que existe um universo de informações e conhecimentos que certamente não aprenderemos nas academias, e sim nas escolas da vida.

Stelina Vasconcelos
Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus XVI.
e-mail: stelinavasconcelos@hotmail.com
blog: http://stelina-vasconcelos.blogspot.com/


domingo, 15 de fevereiro de 2009

Fascínio em Ensinar Aventuras Encantadas no ato de Aprender

A educação é tão simples e fazem dela tão complexa a ponto de pôr diversas responsabilidades, as quais a tornam um fardo pesado a ser carregado. Conversamos sobre educação como se ela fosse um bicho de sete cabeças, quando é na verdade singela, ingênua como o ato de jogar uma semente ao chão e regá-la com o intuito que se torne uma planta forte, vistosa e frutífera.
Nos congressos educacionais, nas jornadas pedagógicas, nas universidades e nos espaços que debatem a educação, formas, modelos, são instituídos para conter a evasão escolar, a avaliação, a repetência, os programas que os currículos devem contemplar, como melhorar os índices de alunos que passam no vestibular. Segundo Rubem Alves em seu livro Conversas sobre Educação, ele explicita e afirma que a “escola é uma máquina de destruir crianças”. O autor acredita que elas “são transformadas em adultos” antes da hora, sendo isso o que “os pais querem: que seus filhos sejam adultos produtivos”. Fatores estes que tem tornado a escola um espaço que poda a criatividade e a espontaneidade da criança e os professores meros receptores de um saber que não agrada e não desperta a curiosidade delas.
Para Bruno Bettelheim, considerado um dos maiores educadores do século passado, proferia: “na escola os professores tentavam ensinar-lhe coisas que eles queriam ensinar, mas que ele não queria aprender”, realidade que assola o ensino brasileiro. As escolas têm direcionado as brincadeiras, tudo tem que ser aprendizagem e a criança acaba perdendo o direito de ser criança de pular, brincar, correr e principalmente viver essa fase encantadora e cheia de descobertas.
Os pais por sua vez, exercem o seu papel no extermínio das crianças, com a mentalidade voltada ao capitalismo e a globalização, desde cedo, enchem-nas de atividades como: natação, curso de inglês, judô, creche, entre outros afazeres que tomam o tempo. Tais atitudes geram distanciamentos entre pais e filhos, devido ao excesso de tarefas eles não têm tempo de se descobrirem, de brincarem, de se conhecerem e se tornam estranhos no mesmo ambiente em que vivem.
Dessa forma, surgem as perguntas: “Qual é o sentido da educação? Qual a função do educador? Qual o papel da escola?”. Diversos questionamentos e as respostas... Ah! As respostas. Elas apenas na sua secura atestam que a função do educador é educar e o papel da escola é conduzir o aluno a diversas aprendizagens para que ele tenha êxito em sua vida, pois sem estudar ele não vai a lugar algum. São as repostas estéreis que ouvimos e formulamos durante a vida profissional e acadêmica.
No entanto, não quero ser idealista e nem sequer profeta do pessimismo; mas se não descobrirmos ou aplicarmos uma nova educação, cada vez mais perderemos a essência da verdadeira função de educador, que é transmitir valores e ensinar para a vida. Isso vai muito além do, que simplesmente repassar assuntos do componente curricular e dos programas dos processos seletivos. Caso não haja o fascínio em ensinar e não despertarmos as aventuras encantadas no ato de aprender formaremos cada dia mais crianças depressivas e estressadas, robôs voltados para passar no vestibular ou concurso. Máquinas que perderam o encanto pela vida o oposto do que representa ser criança.

Stelina Vasconcelos
Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia – Campus XVI
E-mail: stelinavasconcelos@hotmail.com
Blog: http://stelinavasconcelos.blogspot.com/ e
http://stelina-vasconcelos.blogspot.com/

Ensino e Aprendizagem com o uso das Tecnologias Digitais

É sabido que a revolução industrial marcou um novo tempo na história até então as revoluções tecnológicas veem ganhando espaço na sociedade e sendo aperfeiçoadas a cada dia, com a criação de novos softwares e os constantes aprimoramentos das máquinas que são mais modernas e precisas. Quando o astronauta Neil Armstrog pisou na lua, ele disse: "um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade". Assim também aconteceu com a tecnologia, um pequeno passo de um homem e uma extrema mudança na sociedade, tornando a máquina essencial para facilitar diversos processos como: contas bancárias, comunicação das empresas da intranet e internet, pesquisas, entre outros.
As tecnologias de informação e comunicação (TICs) quando são utilizadas de forma adequada, é uma ferramenta essencial no processo de ensino aprendizagem tanto do professor através das possibilidades de capacitação, gerenciamento das suas pesquisas. Para a classe estudantil (crianças, adolescentes e jovens), pode atuar no conhecimento deles, como até mesmos atuar no seio familiar como uma geração de renda. Contudo, as tecnologias digitais, através das suas imagens, sons, podem despertar a imaginação tornando o ato de aprender uma encantada aventura de prazer, além de possibilitar ao professor diferentes abordagens de uma mesma temática.
Na educação, as novas tecnologias podem desenvolver o hábito da leitura, a criatividade ao permitir que os discentes e docentes criem softwares educativos, aperfeiçoamento na realização de cálculos matemáticos, edição de vídeo, consentindo aos alunos a produção de documentários da sua região. As tecnologias digitais trabalham no docente a sua constante auto-estima por proporcionar diversas aprendizagens e informações através das telemídias, bem como, o professor aproveitar seus alunos como atores educativos no cenário das produções dos assuntos explanados em sala de aula.
Por fim, as tecnologias vão muito além do Orkut e do Msn tão propagados e reconhecidos pelos alunos das redes de ensino, sejam particulares, públicas de ensino fundamental, médio e superior. Nesse novo cenário e contexto socioeconômico, tecnológico e cultural é que nós, educadores, precisamos descobrir e redescobrir sempre a forma prazerosa de ensinar e incentivar os alunos a importância de aprender. As novas tecnologias é um recurso que pode nos assessorar nesse processo contínuo de uma educação para a formação do sujeito critico reflexivo e principalmente gerenciador do seu saber.
Stelina Vasconcelos
Graduanda em pedagogia na Universidade do Estado da Bahia, Campus XVI

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Desafios para a Educação do Século XXI

Nos anos 40, as máquinas eram consideradas depósitos de válvulas e placas e ocupavam um enorme espaço físico sendo de uso restrito, mais especificamente para atividades espaciais nos Estados Unidos. Este por sua vez, desenvolveu um sistema de comunicação através dos computadores, o que hoje é conhecido como a internet, que foi criada com o intuito de usá-la pra fins bélicos no período da Guerra Fria. Na contemporaneidade, a internet é um dos meios de acesso mais utilizados pela população tanto nas atividades lícitas - pesquisa, entretenimento e facilidades, comodidades promovidas por ela como pagar contas em casa, entre outros benefícios - e as ilícitas - crimes, roubos, pedofilia, prostituição entre outras.
A sociedade da informação em que estamos imbuídos tem possibilitado a formação de um novo modelo educacional na contemporaneidade que requer uma postura educativa inovadora. Permite ainda a participação e a cooperação dos aprendizes na construção do conhecimento, modificando assim o papel do docente que no modelo tradicional behaviorista consistia em transmitir conhecimento, sendo ele o detentor único do saber, conceito e prática arcaicos no século XXI, no qual o professor passa a ser orientador e mediador do saber.
Essas mudanças geram questionamentos entre a práxis e a aplicabilidade desses novos saberes, nos quais a tecnologia está presente e o discente tem acesso a uma ferramenta com infindas informações, e mesmo assim com tanta disseminação de saber, para alguns especialistas e historiadores nunca se produziu tão pouco conhecimento. Diante dessa situação, qual o papel das unidades de ensino, visto que, a geração de hoje até mesmo já fora nomeada de ctrl C ctrl V, (teclas do computador que colam e copiam um texto)?
Nesse contexto, em que há muita desmotivação da juventude brasileira, apenas 7% desses jovens ingressam no ensino superior de terceiro grau (IBGE, 2008), dados preocupantes, pois cada dia aumenta as exigências do mercado de trabalho. Dessa forma, surge o questionamento: o que será dessa juventude? As opções são escassas sobrando o tráfico de drogas, a bandidagem como meio de sobrevivência ou viver abaixo da linha de pobreza.
Como disse o educador Paulo Freire, em Brasília no ano de 1997: “Não é possível refazer este país, democratizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo sonhos, inviabilizando o amor... Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Se a nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, dos direitos e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não com a sua negação, não temos outro caminho senão viver plenamente a nossa opção. Encarná-la, diminuindo assim a distância entre o que dizemos e o que fazemos”.
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no capítulo III, referente à Educação, no Art. 205 subscreve: “A educação é direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. No Art. 206, Parágrafo II – “Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte do saber. Então cabe a cada um de nós cidadãos analisarmos se a educação tem possibilitado o que assegura a Constituição”.
Partindo dessa premissa, será que os docentes em formação e os formados têm permitido esse acesso e disseminado a esperança aos seus discentes e promovido um ensino prazeroso através desse instrumento precioso chamado EducAÇÃO? Infelizmente, muitas vezes a classe de professores usa desculpas como: a desvalorização, os baixos salários, o cansaço entre outros, para esconder a incapacidade de ensinar e negam o conhecimento e a autenticidade de ser educador. Mediante a tais fatos, a educação permanece sendo um dos meios capazes, talvez único de mudar o país que temos, assim como fora o instrumento de transformação do Japão pós a bomba que destruiu Hiroshima e Nagasaki.

Stelina Vasconcelos
Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus XVI.
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