Quem me dera aprender a viver intensamente cada segundo da
minha existência, sem olhar para os lados e para as pessoas ao
meu redor, assim como as crianças que brincam, amam,
perdoam e vivem na sua singela liberdade, sem preocupar-se
com os olhares questionadores da família, da sociedade e dos
inescrupulosos da mídia.
Ah! Quem me dera poder correr, brincar, amar sem esperar
nada em troca, simplesmente amar e ter coragem de
exteriorizar todas as palavras e sentimentos. Cantar e declarar
que a vida é bela e a felicidade construída na simplicidade
das “pequenas coisas e atos”, como o abraço, o cafuné, o sorriso,
o contemplar do céu, vendo o formato das nuvens tentando
comparar ou decifra-las, o brilho das estrelas e o luar.
Quem me dera romper os cárceres, que aprisionam a vida,
os temores, as angústias, o corre-corre incessante em busca de
um bem material, quando temos perdido o maior deles, o existencial.
Passando pela vida solitária, triste, achando que a vida é ter e deixando
de lado o nosso ser, que apesar de imperfeito, não raras vezes é cruel,
insano, ainda assim é o maior tesouro que possuímos.
Quem me dera ouvir a voz daqueles que gritam em seus mundos de problemas, depressão,
estresse e ajuda-los a entender que a vida é única e devemos encontrar buscar forças para
sairmos da masmorra interior.Quem me dera possuir uma sensibilidade aguçada para
entender e decifrar os sinais daqueles que clamam por um instante de atenção,
de alguém que os ouça e ame sem criticar seus sentimentos.
Quem me dera poder ajudar as dezenas de pessoas que atravessam minha vida,
fazendo nascer esperança e amor pela existência, em cada pessoa triste, angustiada.
Mostrar que a vida ao contrário do que dizem ela não é complicada, é simples,
apenas exigente, para que não matemos ou deixemos que assassinem
nosso eu, a criança habitada em nós.
Quem me dera extinguir a fome, o ódio, as armas, as doenças físicas e da alma,
a prepotência, o orgulho, a intolerância, as fobias, os pânicos....
Como não posso mudar “o mundo”, mudo a minha postura de viver,
sendo humana com o próximo, amiga, sendo eu, perdendo diariamente os medos
de mostrar quem sou, os erros e principalmente declarar-me, doar-me, na certeza
do hoje e do enigma do amanhã e assim começo a perceber que as pessoas que
apelidam-me de louca, simplesmente são aquelas que ainda não saíram da platéia
para atuar na peça da sua própria vida.
Stelina Vasconcelos
03/04/06
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
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